Autogestão: conheça e saiba como incorporá-la ao seu trabalho

Autogestão: metodologia democrática
Autogestão: metodologia democrática

A autogestão, um modelo mais democrático quanto a performance de profissionais, têm se mostrado mais eficiente que o modelo tradicional de gestão.

Diante deste cenário, seria o momento de optar exclusivamente por este novo modelo?

Permaneça neste texto e descubra o que é a autogestão e de que maneira ela é aplicada às atividades das pessoas.

O que é a autogestão?

A autogestão é um modelo de gestão composto por um conjunto de práticas organizacionais, que visam distribuir autoridade, deixando claras as responsabilidades e elevando ao nível máximo possível a autonomia de cada integrante.

Este modelo é voltado para a promoção de autonomia e igualdade, buscando anular hierarquias e burocratização presentes em empresas.

Através do trabalho coletivo, elimina-se o conceito de chefe e subordinado.

Entra em prática o conceito de tomada de decisões que melhor se adequem ao cenário apresentado, e busca de consenso nessas decisões, formando uma estrutura organizacional, através de um conjunto de regras e acordos estabelecidos coletivamente, onde todos possuam o mesmo poder de decisão.

Benefícios da autogestão

Além da inteligência coletiva, o consenso na tomada de decisões presente no modelo de autogestão, traz os seguintes benefícios:

  • Promove a liderança de todos os profissionais, pois a empresa precisa trabalhar em conjunto para o alcance de seus objetivos;
  • Estímulo do consenso, já que todos os colaboradores devem concordar com uma decisão;
  • Torna os processos da organização democráticos;
  • Permissão para que todos os colaboradores tenham acesso às informações e às atividades da empresa;
  • Direciona os profissionais para o trabalho e tomada de decisões que resultem no desenvolvimento da organização;
  • Incentiva e humaniza o relacionamento interpessoal dos colaboradores envolvidos;
  • O colaborador desenvolve seu trabalho com o intuito de superação de suas metas pessoais e entrega de resultados que auxiliem o coletivo da empresa;
  • O funcionamento coletivo da organização, faz com que o profissional tenha mais responsabilidades e mais motivação;
  • Os objetivos e necessidades do profissional são vistos pela empresa de forma coletiva, e todos trabalham para atendê-las;
  • Tomada de decisões de maneira coletiva, permitindo que cada colaborador compreenda suas qualidades e seus limites, identificando seus pontos de melhoria;
  • Geração de autonomia quanto ao desenvolvimento das atividades da empresa.

Demais benefícios da autogestão

Os benefícios citados no trecho anterior estão diretamente ligados ao conceito de consenso adotado pela autogestão.

Porém existem outros benefícios que não possuem conexão direta a este ponto, mas que não perdem sua importância. São eles:

  • O desempenho de empresa e colaborador apresenta uma melhora significativa. Segundo um estudo da Ernest and Young, em comparação com empresas que adotam o modelo tradicional de gestão, a Buurtzorg, empresa da área de saúde, seguidora do modelo de autogestão, apresentou redução de 40% no tempo necessário para recuperação de pacientes, com custo total abaixo da média do mercado.
  • Os níveis de proatividade tendem a se elevar, principalmente se combinados com outros programas motivacionais. A gamificação do trabalho apresenta-se como um desses programas.
  • Aumento no engajamento dos profissionais. A Buurtzorg consegue fazer com que colaboradores temporários consigam se sentir tão donos e engajados quanto os colaboradores de outras empresas, conforme informações da Harvard Business Review, a Morning Star.
  • A autonomia, a liberdade de decisões e os sistemas de recompensas promovem o desenvolvimento de grandes especialistas.
  • A capacidade de adaptação apresenta aumento pois, com auto gerenciamento, os colaboradores sabem exatamente quais são as coordenadas para execução de suas atividades, evitando por exemplo a acomodação.
  • A procrastinação apresenta importante redução, pois os colaboradores conseguem identificar em quais pontos perdem mais atenção e como realizar a correção na rota.

A implementação da autogestão

A implementação da autogestão passa por um processo de adaptação, pois será necessário manter a hierarquia.

Mesmo com o modelo de autogestão, as empresas não abrem mão da hierarquia.

Mas a manutenção da hierarquia não atrapalha a implementação da autogestão, pois será necessário apenas que o modelo atual adote um processo de adaptação à nova metodologia.

Outro ponto importante a salientar é a necessidade de aplicar a metodologia em um universo pequeno de colaboradores.

Não que esta metodologia não funcione em grandes empresas. Mas quanto maior a empresa, maior o atrito na adaptação.

Para implementar a autogestão deverão ser seguidos cinco passos:

  1. Deverá ser adotada uma liderança mais lateral, priorizando a autonomia dos funcionários.
  2. Comunicação da cultura da empresa e o que se espera dos colaboradores, deixando clara a importância de cada profissional para crescimento da organização.
  3. Definição das métricas que servirão de parâmetros de eficiência e eficácia, para acompanhamento.
  4. Permissão para que os funcionários acessem seus indicadores de desempenho individual e comparação com o grupo, para identificação dos pontos de correção.
  5. Liderança atuando como figura facilitadora, guiando os colaboradores e auxiliando na evolução de suas carreiras.

Estruturas em organizações autogeridas

Nas organizações que já praticam a autogestão, foram identificadas, através de pesquisa publicada no livro Reinventando as Organizações de Frederic Laloux, 3 tipos de estruturas:

  • Times autônomos paralelos, presente em empresas que precisam de poucos profissionais para entrega de valor de ponta a ponta. Foco na condução de processos completos por cada time envolvido.
  • Rede de acordos individuais, onde são formados acordos, através de contratos de um profissional com outro, determinando metas de produção, acordos e responsabilidades. Neste processo a prestação de contas não fica centralizada.
  • Círculos aninhados, onde são criados círculos, subdivididos em papéis e círculos internos. Faz parte desta estrutura também ligações que conectam as camadas e criação de canal de comunicação entre os círculos interno e externo.

Portanto se você deseja que exista mais confiança e produtividade profissional, deve considerar a aplicação da autogestão no ambiente de trabalho.

A sobrecarga e pressão sobre as atividades deixam de existir, dando lugar a tranquilidade na maneira de conduzir as demandas.

Compromissos entre colegas se sobrepõem às relações hierárquicas, trazendo a tona relações mais humanas, orientadas à um propósito.

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